Editorial: O documento mais bizarro da história do futebol

documentoEu nunca tinha visto isso na minha vida!

São 37 anos de entrega à minha profissão de cronista esportivo. A minha vida é o futebol e por ele abdiquei de muita coisa. Só eu sei disso. E tudo continua guardado comigo em segredo.

Pois hoje, o presidente Wilfredo Brillinger, um abnegado pelo Figueirense, que muitas vezes tirou do seu bolso para cobrir despesas do clube, influenciado por alguém que eu ainda não sei quem, me apareceu com um “documento” em que os atletas se comprometem a lutar pela permanência na elite.

Batizado de “Contrato de Compromisso: Entrega Total”, o bizarro documento foi assinado pelos jogadores do Figueirense. Seria uma espécie de pacto pela permanência.

Vamos aos fatos:

  • Atleta, porque eles não gostam de serem chamados de jogador, são profissionais e devem honrar seus altos salários. Hoje em dia, qualquer um dá um chutinho e já ganha R$ 40 mil/mês, tem assessores, babá, alimentação e outras mordomias de graça, etc.
  • A grande maioria não tem nem o segundo grau e ganham muito mais do que professores, médicos, etc.
  • É obrigação de cada jogador se doar, dar o seu máximo, honrar o salário que recebe, mas muito mais evitar que o torcedor seja motivo de chacota.
  • É preciso dizer que nenhum atleta assina contrato com a obrigação de ser campeão. Por ser um esporte coletivo, depende de uma série de fatores. Perder faz parte do jogo, mas não se esforçar e achar que perder também está bom, aí não. É safadeza.
  • Não quero dizer que os atuais jogadores do Figueirense não estejam se esforçando ou querendo que o time seja rebaixado. Longe disso. Vejo gana deles em campo, vejo vontade em acertar.

O que quero deixar claro é que esse documento é muito amador e não combina com a grandeza do Figueirense. Um compromisso desse perante o torcedor, com documento assinado, é plenamente desnecessário.

Se o Figueirense for rebaixado, teremos tempo para discutir em que momentos o clube errou, principalmente nas contratações, na prorrogação de problemas que alertei, como França e Carlos Alberto, no inchaço da comissão técnica, com 4 auxiliares, dois deles ex-treinadores, na contratação de 5 treinadores na temporada, na volta do Argel, na falta de punição ao Rafael Silva, irresponsável na comemoração de um gol contra o Flamengo, na fragilidade de um Everton Santos, retorno ruim ao clube, e tantos outros assuntos para debatermos.

Eu tenho profundo respeito pelo cidadão, empresário, dirigente, Wilfredo Brillinger, mas esse documento nunca deveria ter existido. Beira o ridículo. Há quem vai achar tudo muito bom, mas no geral, independente da zoação dos rivais, o que quero dizer, e vale para todos os clubes, que não façam nenhum documento sequer parecido com isso, porque os jogadores muitas vezes fogem das suas obrigações, ainda mais com um documento desse que não tem valor algum, sequer moral, quanto mais de impacto junto aos desportistas.

Que os jogadores alvinegros joguem por si mesmos, por seus familiares, por desejarem terminar o ano em alta, mas muito mais pela TORCIDA DO FIGUEIRENSE.

Não assinem mais nada, joguem. Apenas isso.