As cenas de torcedores do Avaí cobrando quatro jogadores na saída de uma casa noturna, aqui em Florianópolis, já percorreram o Brasil e até o exterior. Teve intimidação e agressões, o que não concordamos, mas qual o limite que deve existir para os atletas entre o que pode fazer na folga e o que está extremamente proibido? Na semana passada, integrantes da Galoucura foram cobrar alguns jogadores do Atlético, também na saída de uma balada na capital mineira, e tudo foi filmado e publicado, inclusive os torcedores foram uniformizados, ou seja, marcaram território.
Há alguns anos, eu estive em Portugal para entrevistar Guilherme Siqueira e Jardel, manezinhos de Floripa, titulares do Benfica. Gui me levou no Solar dos Presuntos, maravilhoso restaurante em Lisboa. Quando o jantar estava ficando animado, eis que Gui e Jardel dizem que precisam ir embora para casa e apenas era 21h30min, no horário local. “Polí, nosso horário é até 22h. Não vai demorar muito vai ter funcionário do clube fazendo a ‘ronda’ e seremos cobrados amanhã no treino e isto pode até resultar em punição no bolso ou afastamento do time”, revelou Guilherme Siqueira.
Tive um misto de tristeza pela saída de ambos, mas fiquei pensando que assim deveria funcionar no Brasil. Não concordo que jogador de futebol pode fazer o que bem entende na folga dele. Não pode. Enquanto estiver acontecendo a competição, precisam se cuidar. Dependem do corpo em forma, sono em dia, e são muito bem pagos para abdicarem das benesses de uma boa noitada. Quem não gosta?
É preciso destacar que recebo inúmeras denúncias de torcedores, algumas com vídeos e fotos, de jogadores de Avaí e Figueirense nas baladas. Essa que publiquei passou dos limites. Ralf, por exemplo, está lesionado. Os demais, tem jogo nesta terça. Cadê a responsabilidade? E a pandemia, acabou?
Não é justo nem com a família deles, com os torcedores, e com o clube que lhes paga. Estamos em uma reta final, um querendo subir, o outro querendo evitar o rebaixamento. Os jogadores que gostam da noite precisam se preservar. São jovens, devem curtir, mas tudo tem sua hora.
O Avaí está na obrigação de se pronunciar, aplicar alguma multa, mostrar à torcida que o Clube não admite essas irresponsabilidades e também para dar como exemplo de fiscalização e autoridade para os demais atletas de que o Avaí não concorda com isso, assim como o Figueirense também deve fiscalizar alguns dos seus jogadores, que adoram esticar nas baladas.
O momento, minha gente, é delicado para o futebol catarinense. Não podemos vacilar mais, porque já perdemos muito espaço no futebol brasileiro. Quanto aos jogadores agredidos, ou que se sentiram invadidos no direito de ir e vir, que façam um BO e que procurem a Justiça, porque é o caminho mais indicado no atual momento.













